Segunda edição do FLACA reúne sessões de cinema, debates, oficinas e seminário a partir desta semana
Florianópolis recebe, entre os dias 31 de outubro e 7 de novembro, a segunda edição do Festival Latino-Americano de Cinema Ambiental (FLACA), com 25 filmes produzidos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Cuba, Espanha, Polônia e Peru. A realização conta com recursos do Fundo Municipal de Cinema (Funcine) e da Prefeitura de Florianópolis, por meio do 11° Edital de Fomento ao Audiovisual - Armando Carreirão e do Prêmio Catarinense de Cinema 2025.
A programação é gratuita e inclui sessões de cinema, debates, oficinas e um seminário sobre as relações entre comunidades tradicionais e meio ambiente. Entre a seleção de produções estão documentários, ficções e animações que abordam temas como mudanças climáticas, biodiversidade, proteção dos oceanos, Amazônia, justiça climática, feminismo, migração, memória coletiva e saberes ancestrais.
Criado em 2025, o FLACA também leva sessões de cinema e educação ambiental a escolas da rede pública de Florianópolis, em diferentes regiões da cidade. Para o público adulto, as exibições acontecem no Centro Integrado de Cultura (CIC), no Bugio Centro e no Bugio Trindade.
A programação de cinema começa na segunda-feira (2), às 19h, no Bugio Centro, com “Cheiro de Diesel”, documentário brasileiro de 2025 que retrata os traumas coletivos provocados pela militarização das favelas do Rio de janeiro durante os megaeventos esportivos, a partir das vozes de moradores e da luta por justiça. Após a sessão, a programação segue com debate sobre a obra.
Segunda edição do FLACA reúne sessões de cinema, debates, oficinas e seminário a partir desta semana
Na terça (3), o CIC recebe a produção brasileira “Originárias”, que acompanha sete mulheres indígenas do sul da Bahia e questionam estruturas sociais e paradigmas dominantes a partir de diferentes visões de mundo. Na mesma sessão, será exibido o curta-metragem colombiano “Tecendo uma árvore”, que aborda a reconstrução de laços sociais após o conflito armado.
Já na quarta (4), também no Cinema Gilberto Gerlach, será exibido “Propriedade Privada — Proibido Passar”. Produzido pela Polônia e pela Argentina, o filme percorre localidades da Patagônia para retratar as dificuldades de acesso à terra e à moradia em uma região marcada por interesses imobiliários e turísticos. A programação segue na quinta (5) com "Tarará”, documentário que recupera a história de milhares de crianças afetadas pela explosão da usina nuclear de Chernobyl e que participaram de um programa de recuperação integral em Cuba. Na sequência, será exibido “Luz”, curta-metragem da Colômbia e da Espanha. A narrativa acompanha uma mulher do povo Wounaan que cresceu em meio às ameaças da guerra na floresta e, já como liderança comunitária, busca recuperar a paz para o próprio povo e para as novas gerações.
Na sexta (6), será a vez de “Kopenawa, Sonhar a Terra Floresta”, documentário brasileiro que apresenta reflexões sobre o pensamento indígena e os desafios enfrentados pelo povo Yanomami. O encerramento das sessões de cinema acontece no sábado, 7, às 18h30, no CIC, com “A través de la tierra” (Através da Terra), produção de 2024 realizada entre Argentina e Bolívia, O filme acompanha Blanca e Patzi, duas mulheres que migraram da Bolívia para a Argentina levando consigo saberes ancestrais, memórias e referências culturais. Após a sessão, haverá debate com as diretoras argentinas.
Além das sessões, o festival promove duas oficinas no Museu da Imagem e do Som (MIS), no CIC. A primeira, “Mulheres de Conteúdo”, com Sarah Laranjeiras, acontece sábado (31), e “Composição e Luz na Fotografia”, com Flavio Veloso, será realizada em 7 de novembro. No mesmo dia, às 15h, o MIS recebe o seminário “Mar de Histórias”, sobre as relações entre seres humanos e natureza a partir das experiências tradicionais de pesca com botos e das vivências de pescadores da Reserva Extrativista (RESEX) do Pirajubaé. O encontro também terá a exibição do documentário “Pesca com Botos”.