A saúde mental do Policial Rodoviário Federal
Por Em Pauta SC
Publicado em 21/09/2026 10:18
Colunistas

Neste Setembro Amarelo, falar sobre prevenção também é olhar para quem passa os dias cuidando da segurança e da vida de outras pessoas. A ocorrência termina, o plantão acaba, mas será que, para o cérebro, tudo termina naquele momento?

Para o policial rodoviário federal, lidar diariamente com acidentes graves, mortes, violência, conflitos, situações de risco e decisões que precisam ser tomadas em segundos faz parte da profissão. São experiências que exigem preparo técnico, controle emocional e permanente estado de atenção. Entretanto, o fato de uma situação fazer parte da rotina profissional não significa que ela não produza impacto psicológico.

Diante de uma ameaça ou situação de intenso estresse, o cérebro ativa mecanismos de sobrevivência. A atenção se concentra no perigo, o organismo aumenta o estado de alerta e prepara o corpo para responder rapidamente, e essa reação é necessária e adaptativa. O desafio aparece quando o estado de alerta se prolonga e o organismo encontra poucas oportunidades para recuperar-se.

É nesse momento que podem surgir sinais como irritabilidade, alterações no sono, dificuldade para relaxar, cansaço persistente, isolamento, dificuldade de concentração ou sensação de estar sempre “ligado”. Nem todo sinal significa adoecimento, mas mudanças persistentes merecem atenção.

Existe ainda outro aspecto importante: o arquétipo do herói, que no contexto policial representa a imagem idealizada de força e coragem que o profissional assume para proteger a sociedade, mas que também traz desafios psicológicos profundos. O policial é treinado para manter o controle diante de situações críticas, mas isso não significa que precise enfrentar sozinho tudo aquilo que vivencia. Ser emocionalmente preparado não significa ser emocionalmente imune.

O Setembro Amarelo nos lembra justamente que prevenção não começa apenas quando uma pessoa está em crise. Prevenir também é perceber mudanças, conversar, fortalecer vínculos, construir redes de apoio e buscar ajuda profissional quando necessário.

Para o policial, cuidar da saúde mental pode significar também aprender a fazer a transição entre o plantão e a vida pessoal. Sono adequado, atividade física, momentos de descanso, convivência familiar, lazer e estratégias que favoreçam a desaceleração do organismo são recursos importantes para a recuperação.

O policial rodoviário federal é preparado para proteger vidas, mas isso não significa que precise deixar de cuidar da própria.  A farda representa a função, por trás dela existe um ser humano que sente, se cansa, enfrenta perdas e também precisa de cuidado.

Neste Setembro Amarelo, falar sobre saúde mental é falar sobre prevenção. E prevenção começa muito antes da crise: começa quando aprendemos a olhar, escutar e cuidar.

Porque cuidar de quem cuida também é uma forma de proteger vidas.

 

Psicóloga Marina Castilho Sugor Sorrentino | CRP 12/07283

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