Sistema integrado entre Prefeitura e Casan permite monitorar ocorrências em tempo real, organizar equipes por região e agilizar a recuperação de ruas; modelo despertou o interesse de técnicos do Sul do Estado
O que começa com a abertura de um buraco na rua pode terminar em uma operação que envolve tecnologia, planejamento, fiscalização e recursos públicos. Em São José, a integração entre a Prefeitura e a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) transformou a recuperação de pavimentos em um modelo de gestão que agora desperta o interesse de outros municípios catarinenses, entre eles Criciúma. Na semana passada, uma equipe técnica das secretarias de Infraestrutura e Obras de Criciúma esteve em São José para conhecer de perto a estrutura de trabalho, os procedimentos de fiscalização e as ferramentas tecnológicas utilizadas no acompanhamento dos serviços de repavimentação executados após intervenções da companhia de saneamento. A visita foi motivada pelo resultado positivo do convênio, apresentado ao prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola Rodrigues, o Vaguinho, durante uma agenda na semana passada. O reconhecimento também veio da própria direção da Casan. “Em São José, o convênio entre Casan e Prefeitura tem funcionado muito bem, com uma integração muito positiva entre as equipes. Esperamos que a visita técnica dos profissionais de Criciúma seja proveitosa e leve boas práticas para o funcionamento do convênio de repavimentação nesse município do Sul do Estado tão importante para a Casan”, destacou o presidente da companhia, Pedro Joel Horstmann. Tecnologia que transforma informação em serviço O diferencial do modelo josefense está na Sala de Gestão e Controle de Concessões da Secretaria de Infraestrutura, que utiliza a plataforma de Gestão de Serviços da Casan, conhecida como Sistema Aline, para acompanhar as ocorrências e organizar o trabalho das equipes. Na prática, quando a Casan realiza uma intervenção e abre um trecho do pavimento, a informação chega ao sistema em tempo real. A equipe municipal faz o levantamento e a medição do serviço, enquanto as empresas responsáveis são direcionadas para executar a recuperação, conforme a programação e as prioridades estabelecidas. O sistema permite identificar a localização das ocorrências, acompanhar as ordens de serviço, registrar os trabalhos realizados e manter um histórico das intervenções. Com as informações georreferenciadas, também é possível agrupar demandas próximas e organizar as rotas, reduzindo deslocamentos e o tempo ocioso das equipes. A ferramenta possibilita, ainda, alterar a ordem de execução dos serviços quando surge uma emergência, além de aprimorar a fiscalização dos contratos, o controle dos materiais utilizados e o acompanhamento dos custos. “É um trabalho que fomos estruturando ao longo dos anos. Em 2014, conseguimos estabelecer o convênio com a Casan para que os recursos fossem repassados antes da execução do fechamento dos buracos. Em 2023, avançamos com a criação da sala de controle das concessões, passando a monitorar efetivamente os serviços”, explica o engenheiro da Secretaria de Infraestrutura de São José, Nardi Arruda. Mais de 8,6 mil buracos atendidos neste ano Os números ajudam a dimensionar o desafio. Somente neste ano, mais de 8,6 mil buracos relacionados às intervenções da Casan foram contabilizados em São José. A média histórica, segundo Nardi Arruda, é de aproximadamente 20 ocorrências por dia, considerando a rotina de trabalho ao longo da semana. Para atender a essa demanda, o Município recebe cerca de R$ 700 mil mensais por meio do convênio, destinados à recuperação de pavimentos asfálticos, lajotas e passeios públicos afetados pelos serviços da companhia. A estrutura municipal conta com quatro veículos e seis profissionais em campo, responsáveis pela fiscalização e pelo levantamento das demandas. Na sala de gestão, outros quatro servidores — um engenheiro e três auxiliares técnicos — atuam no controle e na organização das informações. O planejamento por regiões é outro diferencial. Em vez de deslocar uma equipe de um extremo a outro da cidade para atender ocorrências isoladas, os serviços são agrupados por proximidade. Assim, as empresas conseguem concluir as demandas de uma região antes de avançar para outra, considerando também o trânsito e as condições de execução. Para o secretário de Infraestrutura de São José, Júlio Cézar da Silva, a integração entre a Prefeitura e a Casan é fundamental para garantir agilidade na recuperação das vias e eficiência na aplicação dos recursos. “São muitos os serviços realizados pela Casan que exigem a recomposição do asfalto, das lajotas e dos passeios públicos. Por isso, desenvolvemos um sistema de controle com medições específicas e acompanhamento permanente das demandas. Essa organização permite fiscalizar melhor os serviços, dar mais eficiência à operação e garantir que os trabalhos sejam executados de forma planejada”, destaca. Criciúma quer levar a experiência para o Sul do Estado Para o secretário de Infraestrutura de Criciúma, João Paulo Casagrande da Rosa, conhecer a experiência de São José é uma oportunidade de aprimorar os procedimentos adotados no município. “Essa reunião veio, de fato, para conhecer a estrutura de vocês aqui de São José, que pelo que a gente vê é muito bem organizada. Não é feio copiar aquilo que está dando certo. Queremos levar para Criciúma essa estrutura, para fazer toda a parte de zeladoria do município, o tapa-buraco da Casan, o tapa-buraco das ruas em geral e ter toda a parte de fiscalização que vocês já têm”, afirma. O prefeito de Criciúma, Vaguinho, também reconheceu o diferencial da experiência josefense, especialmente pela forma sistematizada de trabalhar com as empresas, organizar os contratos por lotes e acompanhar diariamente a execução dos serviços, com informações disponíveis em tempo real. Parceria que melhora a cidade Para o prefeito de São José, Orvino Coelho de Ávila, o reconhecimento demonstra a importância de investir em planejamento, integração entre equipes e ferramentas que permitam acompanhar de perto a aplicação dos recursos públicos. A experiência demonstra que a recuperação de pavimentos vai além de tapar buracos: exige organização, acompanhamento permanente e responsabilidade compartilhada. Ao integrar tecnologia, fiscalização e planejamento, São José consolida uma prática que beneficia os moradores e passa a servir de referência para outros municípios catarinenses.