Capacitação com profissionais da rede municipal reforçou a importância de identificar lesões suspeitas e encaminhar pacientes para investigação; município já contabiliza mais de 23 mil consultas odontológicas na Atenção Básica em 2026
Uma ferida na boca que não cicatriza, uma mancha persistente na língua ou uma alteração na mucosa podem parecer sinais sem importância, mas merecem atenção. Reconhecer essas mudanças e investigar possíveis lesões suspeitas são medidas fundamentais para o diagnóstico precoce do câncer bucal. O tema marcou o encerramento da VII Semana da Saúde Bucal de São José, nesta sexta-feira (23), com uma capacitação voltada aos cirurgiões-dentistas da rede municipal.
A programação foi concluída com a palestra “Lesão da Mucosa Oral e Diagnóstico Precoce do Câncer Bucal”, ministrada pela cirurgiã-dentista Mariáh Luz Lisboa, doutora em Diagnóstico Bucal pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e especialista em Odontologia Hospitalar pelo Hospital Universitário da instituição. O encontro abordou a importância de reconhecer alterações na cavidade oral, realizar uma avaliação clínica cuidadosa e encaminhar os pacientes para investigação sempre que houver suspeita.
A identificação precoce é um passo importante para agilizar o diagnóstico e ampliar as possibilidades de tratamento adequado. O câncer bucal pode atingir os lábios, a língua, as gengivas, o céu da boca e outras estruturas da cavidade oral. Em estágios iniciais, algumas lesões podem não provocar dor, o que reforça a importância de observar alterações persistentes e procurar avaliação profissional.
Para Mariáh Lisboa, o olhar atento do cirurgião-dentista durante as consultas é essencial para que alterações suspeitas não passem despercebidas e recebam a devida atenção. “Muitas vezes, uma lesão na boca pode não causar dor e acabar sendo ignorada pelo paciente. Por isso, é fundamental que o cirurgião-dentista saiba identificar essas alterações, investigar os sinais de alerta e encaminhar os casos suspeitos para avaliação. Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores podem ser as possibilidades de um tratamento adequado”, destaca Mariáh. A atenção aos sinais também deve fazer parte da rotina da população.
Feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas persistentes, áreas endurecidas, caroços e dificuldades para mastigar, engolir ou falar precisam ser avaliados por um profissional de saúde. Alterações que persistam por cerca de 15 dias, especialmente sem apresentar melhora, devem ser investigadas. A ausência de dor não significa que uma lesão seja inofensiva. Qualificação que se reflete no atendimento à população Promovida pela Secretaria Municipal de Saúde, a VII Semana da Saúde Bucal começou na terça-feira (20) e reuniu atividades de atualização técnica e científica sobre diferentes aspectos da prática odontológica.
Ao longo dos quatro dias, os profissionais participaram de palestras e capacitações sobre farmacologia clínica, disfunções temporomandibulares, dor orofacial, bruxismo, protocolos de regulação, técnicas restauradoras, sedação na Atenção Básica e diagnóstico de lesões da mucosa oral. Para a gerente de Saúde Bucal de São José, Muryel Fontoura Souto, a semana permitiu aprofundar conhecimentos que fazem diferença na rotina das equipes e na assistência prestada aos pacientes. “Cada capacitação contribui para que nossos profissionais se sintam mais preparados diante das diferentes situações que encontram no consultório.
A troca de experiências e a atualização dos conhecimentos ajudam a qualificar as decisões clínicas e a oferecer um atendimento mais atento às necessidades de cada paciente”, destaca Muryel. A diretora de Atenção Primária, Scheila Monteiro Evaristo, ressalta que a qualificação dos profissionais fortalece o trabalho desenvolvido nas unidades de saúde e contribui para identificar necessidades de forma mais ágil.
“A Atenção Primária tem um papel fundamental porque está próxima da população e acompanha as pessoas em diferentes momentos da vida. Investir na preparação das equipes significa melhorar a capacidade de acolher, avaliar e orientar os pacientes, além de garantir que eles sejam encaminhados corretamente quando precisam de atendimento especializado.”, afirma Scheila. A secretária municipal de Saúde, Sinara Simioni, destaca que a iniciativa integra o compromisso do município com a melhoria contínua dos serviços públicos. “Queremos que a população encontre profissionais cada vez mais preparados para prevenir doenças, reconhecer sinais que exigem atenção e conduzir cada atendimento da melhor forma possível. A formação continuada fortalece a rede municipal e contribui para que o cuidado oferecido pelo SUS seja cada vez mais qualificado e resolutivo.”, destaca Sinara.
Atendimento odontológico em toda a rede municipal São José conta com atendimento odontológico nas 26 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com serviços que vão da prevenção e dos procedimentos clínicos aos encaminhamentos para especialidades. Desse total, 25 unidades já oferecem acesso avançado à Odontologia, modalidade que permite a realização de procedimentos no mesmo dia, com horário marcado, conforme a organização do serviço. De janeiro a outubro de 2026, a Atenção Básica registrou 23.410 consultas odontológicas e 67.050 procedimentos.
No mesmo período, foram realizadas mais de 214 ações de prevenção e promoção da saúde bucal nas escolas, com orientações, escovação supervisionada, aplicação de flúor e avaliações clínicas. Quando há necessidade de atendimento especializado, o paciente é encaminhado pelo cirurgião-dentista da UBS para os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), localizados nas Policlínicas de Barreiros e Forquilhinha.
A rede oferece serviços como tratamento de canal, cirurgia bucomaxilofacial, periodontia, odontopediatria e atendimento a pessoas com necessidades especiais. Com o encerramento da VII Semana da Saúde Bucal, São José reforça o compromisso com a atualização dos profissionais e a qualificação do atendimento oferecido à população. No caso do câncer bucal, reconhecer os primeiros sinais, investigar alterações suspeitas e encaminhar o paciente sem demora são atitudes que podem fazer diferença no diagnóstico e no tratamento.